Nas urnas, Suíça aprova abandono de energia nuclear

Plano aprovado proíbe construção de novas usinas nucleares e prevê investimentos massivos em energia eólica, biomassa e solar

A sign, which reads: “High Radiation Area – Avoid unnecessary stay!!!”, is pictured in front of Castor nuclear waste containers (Cask for Storage and Transport of Radioactive material) at the ZWILAG interim storage facility for radioactive waste in the Swiss village of Wuerenlingen, about 40 km (24 miles) northwest of Zurich, September 18, 2013. REUTERS/Arnd Wiegmann (SWITZERLAND – Tags: ENERGY ENVIRONMENT)

GENEBRA – Nas urnas, os suíços aceitam abandonar de forma gradual o uso de energia nuclear e sua substituição por fontes renováveis. O referendo foi realizado neste fim de semana e concluído com 1,3 milhão de votos a favor da transição, contra 940 mil votos a favor da manutenção da energia nuclear.

A política energética já havia sido proposta pelo governo. Mas precisava passar pelo voto popular. Em algumas cidades, como Genebra, 73% dos eleitores apoiaram a transição da energia nuclear para outras fontes.

Pelo plano aprovado, nenhuma nova usina nuclear será autorizada a ser construída. Quanto às cinco usinas existentes no País, a estratégia prevê que elas sejam fechadas quando expirar sua vida útil e o prazo estabelecido de seus respectivos usos com total segurança. Hoje, os cinco reatores correspondem a 30% do fornecimento de energia do país de cerca de 8 milhões de habitantes. O mesmo plano prevê investimentos massivos e subsídios para o setor de energia eólica, biomassa e solar.

O debate começou depois do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011. Diversos governos europeus também tomaram decisões similares, abrindo o debate sobre o futuro da entidade nuclear.

Outra estratégia é a de redução do consumo de energia per capta no país. Até 2035, a meta é a de redução de 43%. Se o voto foi favorável, o maior partido do país – o UDC – rejeita a estratégia. Foi ele quem pediu a realização do referendo popular, depois que o projeto ganhou o apoio dos demais partidos.

Para o grupo de direita, o plano de abandonar de forma gradual a energia nuclear vai custar US$ 3,2 mil extras para cada residência por ano, em impostos e preço de energia. O governo rejeitou a conta realizada pelo partido, alertando que o aumento do custo de energia será de apenas US$ 40 por ano.

Numa campanha pouco habitual, os defensores do “não” ao projeto de transição energética alertavam que uma vitória do plano significaria que os suíços passariam a tomar “banhos gelados”. Nos poucos cantões da Suíça que o plano de transição perdeu, um dos argumento usados era de que as instalações de painéis solares e turbinas para energia eólica poderiam “desfigurar” o cenário alpino.

Fonte: Estadão