Autogeração de energia é realidade no Vale do Itajaí e litoral norte catarinense

Além de diminuir ou quase zerar o valor a ser pago na conta de luz, a iniciativa, através da instalação de painéis solares fotovoltaicos, contribui para a redução da emissão de gases do efeito estufa. A instalação dos sistemas cresce em Santa Catarina e pode ser feita em residências, empresas, áreas rurais e até mesmo em indústrias.

Não ter mais que se preocupar com os aumentos na conta de luz e, até mesmo, reduzir ou quase zerar o valor da fatura, além de contribuir para a preservação do meio-ambiente. Esses são alguns motivos que têm feito com que a autogeração de energia tenha se tornado realidade no Vale do Itajaí e litoral norte catarinense. Segundo gráfico de geração distribuída em operação da Celesc o número de instalações de sistemas fotovoltaicos vem crescendo nessas regiões. Podem ser instalados em residências, empresas, áreas rurais e até mesmo em indústrias. Para especialistas na área, a tendência é de que a adesão por esses projetos aumente nos próximos anos.

“Ter um sistema de geração de energia solar pode diminuir em até 90% os gastos com energia fornecida pelas distribuidoras. O consumidor terá o retorno do valor investido em até oito anos, e não precisará mais se preocupar com gastos energéticos adicionais por pelos menos 20 anos, que corresponde ao tempo de vida útil do sistema fotovoltaico. Outro aspecto a ser considerado é que o imóvel que possui o sistema tem uma valorização de até 8%”, afirma o diretor comercial da Tek Energy Douglas Salgado.

A Tek Energy trouxe recentemente, para o Vale do Itajaí e litoral norte catarinense, a tecnologia da empresa Canadian Solar, uma das maiores companhias fabricantes de painéis solares do mundo. Salgado informou ainda que apenas no último mês foram instalados 2 sistemas na cidade de Balneário Camboriú e outros 3 estão em fase de estudo nas cidades de Itajaí e Camboriú.

Como produzir a própria energia
Qualquer pessoa pode ter em sua casa ou empresa um sistema de autogeração de energia solar. Para isso é necessário contar com a consultoria de uma empresa especializada na área que seja capaz de cuidar de todo o processo. Isso inclui desde a orientação na hora da venda dos equipamentos e sua instalação; as medidas necessárias para a homologação do sistema junto à Celesc, e o acompanhamento do início do funcionamento dos painéis. E, se houver necessidade, que preste o serviço de assistência técnica.

“O profissional irá fazer a análise da edificação, do posicionamento do sistema no telhado e também da vizinhança considerando, por exemplo, se outros prédios ou árvores irão produzir sombra nos painéis solares. Dessa forma poderá identificar qual a melhor parte do telhado para que seja instalado o projeto fotovoltaico para que seja mais eficiente”, explica Douglas Salgado.

Em seguida será analisado o consumo de energia atual do imóvel para saber quantos painéis serão necessários para atender a demanda energética. Se com a geração fotovoltaica a intenção é aumentar ainda mais o consumo de energia é importante, na hora dos cálculos, projetar essa situação.

“Há pessoas que pensam que porque instalaram o painel solar podem simplesmente dobrar o consumo de energia. Por conta destas situações no momento em que estamos fazendo o cálculo sempre orientamos nossos clientes a verificarem qual é a projeção de consumo de energia, se há intenção de aumentar ou não a médio ou longo prazo”, orienta.

Os sistemas fotovoltaicos são totalmente modulares o que permite fazer a instalação de poucos painéis e, depois, conforme a demanda, ampliar a geração de energia. O importante é logo no início fazer essa projeção e verificar se a estrutura disponível irá suportar todo o equipamento no futuro.

Monitoramento em tempo real
Com o uso de aplicativo de monitoramento é possível saber, em tempo real, dados de geração e consumo da energia solar produzida. Dessa forma a pessoa saberá qual foi a produção diária e a eficiência dos painéis sem contar a questão do meio-ambiente com informações de quanto de gás carbônico ela deixou de emitir na atmosfera.

“É algo realmente difícil de entender na fatura comum o que foi geração e consumo de energia solar. Então, para facilitar a leitura e o entendimento da geração de energia através das placas fotovoltaicas, disponibilizamos através de um aplicativo os dados de forma simples para que o consumidor acompanhe detalhadamente o processo”, diz Douglas Salgado.

Créditos ao consumidor: geração solar maior que o consumo
No Brasil ao contrário de outros países não é possível vender a energia excedente (quando a produção é maior que o consumo) para as concessionárias. O sistema adotado é o da compensação de energia elétrica onde o consumidor fica com um crédito em sua conta de luz. E para melhor utilizá-lo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fez algumas mudanças na resolução que regulariza a geração distribuída no Brasil permitindo que o usuário tenha mais de uma opção na hora de ser feito este desconto.

O mais comum é o uso do crédito na mesma unidade consumidora que produziu a energia. Ele deve ser utilizado em outro mês e fica disponibilizado por um período. Uma opção que tem chamado atenção é a do autoconsumo remoto. Situação em que o consumidor gera energia em uma unidade e o excedente (créditos) pode ser transferido para outra unidade consumidora. Neste caso é necessário que as duas estejam com o mesmo CPF ou CNPJ e localizadas na mesma área de distribuição da concessionária.

“Um dos sistemas instalados recentemente em Balneário Camboriú irá funcionar desta forma. Nosso cliente optou por colocar o sistema em um edifício que durante a temporada de verão tem os apartamentos alugados e cadastrou outra unidade consumidora para receber 10% do excedente da geração de energia”, destaca Douglas Salgado.

A geração distribuída em condomínios também tem sido um novo formato. Através do CNPJ do condomínio se compra o equipamento para geração de energia e começa a produzir. Quando há excedente é possível dividir entre os participantes do investimento.

Outra situação semelhante – e que foi amplamente utilizada em países pioneiros na geração distribuída – é quando consumidores se reúnem em cooperativa ou consórcio para investir na instalação de um grande sistema solar fotovoltaico capaz de atender desde indústrias, comércios e até mesmo residências. Desta forma é possível além de dividir o custo do investimento ter um equipamento de alta potência gerando energia para um número maior de pessoas.

Fonte: Manchete Online