Boeing quer construir avião solar que voa durante anos.

Empresa registra projeto de aeronave não tripulada que pode atuar como uma espécie de satélite.

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Concepção artística da patente registrada pela Boeing. Será que funciona? (Patent Yogi)Concepção artística da patente da Boeing. Será que funciona? (Reprodução – Youtube/Patent Yogi)

Empresas aeroespaciais e até mesmo a Nasa vêm tentando há algum tempo criar um avião movido a energia solar. Experiências realizadas até o momento resultaram em aeronaves com aspectos totalmente estranhos, mas provaram que o conceito funciona. A Boeing é uma das fabricantes que está atenta a essa tecnologia, como foi revelado recentemente em projetos patenteados nos Estados Unidos.

A empresa registrou no final de maio, no escritório de patentes dos EUA (US Patent & Trademark Office), mais uma ideia de avião solar com design esquisito. O conceito da Boeing é uma uma grande asa coberta com painéis solares e impulsionada por 10 motores elétricos. Um ponto curioso do projeto são as pontas das asas (os winglets), que podem se mover para ajudar no controle da aeronave, que não é tripulada. Na verdade, ele não é bem um “avião”.

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Será que a ideia da Boeing decola um dia? (US Patent & Trademark Office).

A proposta é uma espécie de “satélite de atmosfera”, que pode ser utilizado como uma alternativa mais barata aos satélites espaciais de telecomunicações. Em outras palavras, o avião solar da Boeing é como uma antena voadora e pode ser aplicado em regiões remotas para oferecer internet e sinais de celular e televisão.

Como explica o documento da Boeing, os painéis solares espalhados por toda a aeronave geram a eletricidade para os motores e ao mesmo tempo alimentam o conjunto de baterias, que são acionadas a noite para manter a propulsão. Desta forma, o “avião-satélite” pode permanecer voando por meses ou até anos sem precisar voltar a superfície.

A tecnologia do avião solar, porém, ainda está apenas engatinhando. Segundo cálculos da Boeing descritos na patente, se as asas de um Boeing 747 fossem cobertas com painéis solares a energia obtida seria apenas 0,8% da potência necessária para manter a velocidade de cruzeiro e altitude convencionais da aeronave – cerca de 890 km/h a 11 mil metros de altitude.

Aviões solares

A Nasa, até agora, é quem voou mais alto com um avião solar. Em 2001, o protótipo Helios, dirigido por controle remoto, alcançou sobre os céus do Havaí a marca de 29.523 metros de altitude. Como a ideia da Boeing, o projeto da agência espacial dos EUA é uma grande asa voadora com motores elétricos.

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Em 2001, o Helios alcançou 29.523 metros de altitude (NASA).

Já o avião solar que foi mais longe até o momento é o Solar Impulse 2, projeto desenvolvido na Suíça que completou uma série de longos voos, incluindo travessias oceânicas – diferentemente dos outros protótipos, este é tripulado. O principal objetivo do grupo, liderado pelos pilotos André Borschberg e Bertrand Piccard, é completar a volta ao mundo com a aeronave, aventura que está em andamento.

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Desde março, o Solar Impulse 2 está voando para diferentes partes do mundo (Solar Impulse).

A Airbus também estuda a tecnologia com o projeto Zephyr UAV, uma aeronave não tripulada com a mesma funcionalidade apresentada na patente da Boeing, de atuar como um satélite de atmosfera. O primeiro protótipo em escala reduzida voou em 2008 e dois anos depois uma versão mais avançada estabeleceu o recorde mundial de aeronave não tripulada que permaneceu voando por mais tempo: 336 horas, 22 minutos e 8 segundos.

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O projeto Zephyr detém o recorde de voo mais longo para um aeronave não tripulada (Airbus).

Primeiro avião solar

O primeiro avião solar da história foi o Gossamer Penguin, que decolou em 1979. O modelo foi criado pelo engenheiro aeronáutico norte-americano Paul MacCready a partir de um projeto anterior, movido a força humana (o Gossamer Albatross, que também voou em 1979).

O projeto de MacCready chamou até atenção da Nasa, que em 1980 convidou o projetista para demonstrar seu avião solar no centro de testes da famosa base de Edwards. O Gossamer Penguin, construído basicamente com fibra de vidro e plástico, pesa apenas 30,8 kg (vazio). Em seu voo mais longo, a aeronave percorreu 3,1 km até ficar sem energia.

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O Gossamer Penguin voando no centro de testes da Nasa, em 1980 (NASA).

O Penguin era impulsionado por um pequeno motor elétrico movido por 28 pilhas D, como as usadas em grandes brinquedos, que por sua vez eram recarregadas por 3.920 células de captação solar.

Fonte: Airway