Brasil importa 30 vezes mais energia do que gera com sol

País desperdiça potencial de geração solar e produz menos que Alemanha e Japão.

Para Marcelo Belém, que investe em geração de energia solar, falta incentivo para a cadeia produtiva se desenvolver no Brasil

O Brasil continuará longe de aproveitar o seu potencial de energia solar mesmo que consiga dobrar sua capacidade de geração fotovoltaica em 2018 e chegue a 2,12 gigawatts (GW) como aponta um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgado neste mês. No fim de 2017, o país alcançou a potência instalada de 1 GW, segundo a Agência, apenas 0,59% do total do Sistema Integrado Nacional (SIN).

Enquanto isso, cerca de 5% da energia consumida no Brasil vem de países vizinhos como Paraguai, Argentina e Uruguai. Segundo o relatório de intercambio internacional do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), apenas em dezembro do ano passado, o Brasil importou 38,7 GWh das térmicas uruguaias de Rivera e Melo.

“A população não precisaria depender de recursos externos e nem de combustíveis fósseis que alimentam as termelétricas emergenciais, que ainda têm um preço mais alto, se o investimento fosse feito em energia solar”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia.

Segundo ele, o Brasil está entre os países com maior potencial de geração solar do mundo, mas ele ainda é pouco aproveitado. Para se ter uma medida de comparação, o Japão, que tem um território menor que o Estado da Bahia, tinha em 2016 uma potência instalada de energia fotovoltaica de 42,7 GW e a Alemanha, que é menor que o Tocantins, de 41 GW. “O japão investe em energia solar há pelo menos duas décadas. No Brasil, o primeiro marco regulatório é de 2012, muito recente. Esse mercado está pelo menos 15 anos atrasado no país”, afirma Sauaia. A irradiação média anual brasileira varia entre 1.200 e 2.400 kWh por m²/ano, bem acima da média da Europa, de acordo com a Aneel. Segundo a Absolar, o Estado com menor potencial de irradiação do país é o Paraná, que recebe mais sol do que a melhor área da Alemanha, que hoje já aproveita a energia fotovoltaica em 85% das residências.

Expectativa. Em 2018, 28 usinas solares devem entrar em funcionamento (viabilidade alta) no país segundo a Aneel, somando 781 megawatts (MW) ao SIN. Outros oito empreendimentos, com viabilidade média, estão previstas para entrar em operação no fim do ano, somando mais 231 MW. Se as previsões se concretizarem o sistema teria um acréscimo de 1,12 GW de energia fotovoltaica. Até 2021, mais 31 usinas fotovoltaicas deverão iniciar suas operações comerciais, segundo o relatório de acompanhamento de obras da Aneel. As 67 usinas são resultado de leilões realizados em 2014 e 2015. A estimativa é que essa alta na produção coloque o Brasil no ranking dos 20 maiores produtores de energia solar do mundo. Hoje, o país não figura nem entre os 30 maiores.

Belo Monte. O relatório da Aneel aponta aumento de geração em 2018 em sete hidrelétricas, com potência instalada de 3.097 MW, incluindo turbinas de Belo Monte e mais 1.569 MW em 2019.

Fonte: O Tempo