Brasil tem a matriz energética menos poluente do mundo, segundo agência internacional

Para dirigente da AIE , país é a ‘estrela ascendente’ no uso sustentável de energia.

Projeto de energia solar no AquaRio Foto: Fernando Lemos/Agência O Globo/25-05-2017

Em meio a incertezas sobre como o próximo governo pretende agir em relação aos acordos de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que o Brasil é o país que apresenta a matriz energética menos poluente do mundo e com a maior participação de combustíveis renováveis entre os grandes consumidores globais de energia. Segundo o organismo, que é ligado à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país deverá somar quase 45% de fontes renováveis na matriz energética em 2023, usados, principalmente, nas áreas de transportes e industrial.

O Ministério de Minas e Energia estima que a parcela de energias renováveis dentro de cinco anos será maior, de 48%. Atualmente, o percentual está em 43%, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.

– O Brasil é a estrela ascendente no uso sustentável da energia. A enorme parcela de renováveis na matriz energética brasileira é uma fonte de inspiração para muitos países em todo o mundo – disse o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, nesta segunda-feira, durante o lançamento, no Brasil, do Relatório sobre o Mercado de Energias Renováveis da AIE.

Faz pouco mais de um ano que o governo brasileiro decidiu se associar à AIE, junto com outros países que representam 70% do consumo global de energia no mundo. Também entraram recentemente para o organismo China, Índia e Indonésia.

Bioenergia

O relatório traz estimativas para os próximos cinco anos, levando em conta o período de 2018 a 2023. Os ministérios das Relações Exteriores e de Minas e Energia comemoraram o fato de, pela primeira vez, o documento trazer, com ênfase, a expressão “bioenergia moderna”, chamada pelo organismo como “um dos principais pontos cegos do debate energético global”. Segundo uma fonte do governo brasileiro, foi feito um esforço diplomático para que o tema entrasse no horizonte da AIE, para que o mundo se volte novamente para combustíveis produzidos a partir de biomassa, como o etanol.

– A própria capa do relatório da AIE traz a cana-de-açúcar, o que demonstra a importância que tem sido dada ao tema. A bioenergia está voltando ao mapa global – disse uma fonte.

As perspectivas são promissoras para esse segmento. Os Estados Unidos autorizaram, há pouco tempo, o aumento da mistura de álcool à gasolina de 10% para 15%. A Índia passou a dar maior destaque aos biocombustíveis e, a partir de 2020, a China vai adicionar 10% de etanol à gasolina em todo o país a partir de 2020 – ano considerado “crucial” para a bioenergia pela AIE.

Além disso, o Canadá estuda uma política semelhante ao RenovaBio, do Brasil. Trata-se de um programa que visa a expandir a produção de biocombustíveis, fundamentada na previsibilidade e sustentabilidade ambiental, econômica e social.

De acordo com o estudo, a participação de fontes renováveis na demanda energética global deverá aumentar para 12,4% em 2023, percentual que corresponde a um quinto a mais do que no quinquênio anterior de análise (2012-2017). As energias renováveis vão atender 40% do aumento de consumo projetado para os próximos cinco anos.

Apesar do bom desempenho, o Brasil está atrás da China na expansão de renováveis estimada para os próximos cinco anos. Envolvidos com politicas de descarbonização e redução da poluição do ar, os chineses ultrapassaram a União Europeia (UE) como maiores consumidores de energia renovável do planeta.

De acordo com o relatório, no período de 2018 a 2023, a energia solar fotovoltaica deve se expandir quase 600 Gigawatts, mais do que todas as outras fontes renováveis no setor elétrico combinadas. A China deverá continuar como líder absoluta, gerando quase 40% do total.

Já a energia eólica será responsável por 325 GW no período. Ao mesmo tempo, a hidroeletricidade continuará como principal fonte renovável na geração elétrica em 2023.

Fonte: O Globo