Criação de empregos e novos negócios aquecerão o setor fotovoltaico no Brasil em 2018

Nos últimos anos a questão energética tem sido pauta de discussões no mundo todo, motivadas por fatores como o aquecimento global, provocado pela emissão de gases de efeito estufa, derivados, em parte, da energia elétrica produzida por meio do uso de combustíveis fósseis.

Preocupados em garantir a preservação dos recursos naturais, cada vez mais impactados pelo crescimento da população e do consumo, governos, iniciativa privada e consumidores investem no desenvolvimento de projetos que privilegiem a utilização de fontes renováveis de energia, atendendo as necessidades atuais, sem, no entanto, comprometer o acesso para as gerações futuras. 

Entre as tecnologias disponíveis para diversificar a matriz energética mundial a que apresenta crescimento mais expressivo é a energia solar fotovoltaica. Acessível e limpa a energia solar tem sido apontada como uma das principais soluções para geração sustentável de energia.

Crescimento do setor fotovoltaico no Brasil nos últimos anos

Desde 2012, quando foi aprovada pela Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, a regulamentação para conexão e compensação de geradores distribuídos, o setor de energia solar fotovoltaica vem se fortalecendo no Brasil.

Em 2016 registrou um crescimento de cerca de 270% em relação ao ano anterior e a projeção é de que este ano atinja o patamar de 1.000 megawatts (MW) de capacidade instalada, 325% em relação aos 253 MW atuais, com investimentos que deverão somar 4,5 bilhões até dezembro.

Os dados, divulgados em outubro pela Absolar, Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, colocam o país entre os 30 principais geradores da energia – China, Japão, Alemanha, Estados Unidos e Itália lideram atualmente o ranking, com a fatia de quase 60% da produção mundial.

Foi apoiado nesse crescimento, que acontece mesmo em momento de crise econômica, que o setor antecipou para 2018 a estimativa para a instalação de mais de 3.000 MW, já contratados por meio de leilões. Projetando, ainda, para 2030, a possibilidade de o Brasil figurar entre os cinco primeiros em potência instalada anual, um número que poderá representar mais de 40 mil MW, duas vezes o valor de um complexo hidrelétrico, por exemplo, e um faturamento de cerca de 100 bilhões.

Investimento seguro

Entretanto, os números poderão ser ainda muito mais significativos. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, EPE, se todo potencial de energia solar nas residências e comércios fosse aproveitado com sistemas fotovoltaicos o país produziria 283,5 milhões de MW por ano, um volume equivalente ao dobro do atual consumo doméstico.

De olho nesse avanço, o setor atrai cada vez mais investidores e, como informa a Absolar, será responsável pela geração de 25 a 30 postos de trabalho por MW de energia solar fotovoltaica instalados em 2018.

Os estados, que já investem na tecnologia, impulsionaram a economia local e os consumidores – residências e comércios – que adotaram o sistema, registraram uma redução de até 80% no valor da conta de energia elétrica.

Benefício que contribuiu para o aumento do número de consumidores que geram a própria energia: mais de 450% em 2017 – percentual que também destaca a utilização da tecnologia solar fotovoltaica.

A Aneel estima que até 2024, 1,2 milhão de unidades deverão produzir sua própria energia elétrica, por meio de sistemas de micro e minigeração distribuída, que permitem que qualquer residência ou empresa, conectados à rede de distribuição por instalações de unidades consumidoras, gere energia para consumo próprio: autossustentabilidade e consciência socioambiental aliada a economia financeira.

O processo de geração poderá ser também compartilhado – quando consórcios ou cooperativas utilizam a energia gerada para redução das contas dos consorciados ou cooperados. Ou mesmo condomínios residenciais e comerciais, em que toda a energia gerada poderá ser distribuída entre os participantes e a redução da conta aplicada ao consumo das instalações do próprio condomínio.

Mercado de trabalho

Para quem tem interesse em trabalhar no mercado solar, o cenário se configura em contraste com o atual índice de 12,6% de desemprego registrado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, relativo ao último trimestre.

Os números apontados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, traduzidos a partir dos megawatts que deverão ser instalados, indicam que os postos de trabalho podem chegar à casa dos 100 mil no próximo ano.

Além disso, com a crise hídrica e o surgimento das bandeiras tarifárias e aumento dos impostos, o consumidor busca novas alternativas para redução no valor da energia elétrica, o que sugere também novas oportunidades de trabalho.

Atualmente, o perfil dos profissionais varia entre níveis mais elevados de conhecimento e níveis técnicos. Desde cientistas e acadêmicos, que passaram a exercer seus conhecimentos na prática de indústrias e empresas voltadas para energias sustentáveis, especialistas e técnicos diretamente ligados ao setor à profissionais das áreas de gerenciamento, administrativo, marketing e vendas. Mas são os instaladores e técnicos que devem ocupar a maioria das novas vagas, com uma média salarial entre R$ 3 mil e R$ 4 mil.

Trabalhar como autônomo ou montar o próprio negócio

O crescimento do setor é também um indicativo de oportunidades para quem quer ter o seu próprio negócio, ou apenas prestar serviços como autônomo. Contudo, como em qualquer outra área é preciso se qualificar.

A falta de qualificação, a propósito, é um dos problemas enfrentados por esse mercado, o que amplia ainda mais o leque de possibilidades para quem se especializa. Cursos de nível superior, especialização e técnicos são oferecidos nos formatos presencial e online.

Para quem já se especializou e não quer exercer o conhecimento na prática, uma boa opção é repassar seus conhecimentos ministrando aulas que possam orientar quem está começando ou para quem já atua no setor. Os serviços de consultoria – para pessoas físicas e jurídicas –, planejamento e vendas, também são uma alternativa.

Em todos os seguimentos do setor é possível atuar de modo autônomo ou optar por montar uma empresa. É importante apenas identificar em qual deles existe maior demanda, de acordo com seu perfil de trabalho ou área em que pretende atuar. Compreender o funcionamento do mercado e as legislações que regulamentam a implementação da tecnologia solar fotovoltaica. Veja abaixo algumas opções:

Fabricação de equipamentos – o seguimento é voltado para empresas fabricantes de painéis solares, cabos conectores e estruturas de fixação.

Profissionais: variam de especialistas e técnicos em linhas de produção de equipamento de alta tecnologia à de departamentos como venda, recursos humanos, comunicação, marketing, administrativo e financeiro.

Distribuição de equipamentos – voltado para distribuição dos Kits com os componentes para a instalação da energia solar fotovoltaica. Profissionais: logística, gerenciamento de estoque e administrativo/financeiro.

Instaladores  – empresas integradoras, que compram os equipamentos e vendem a solução completa. Desenvolvem desde o design e projeto do sistema fotovoltaico, à instalação, conexão e homologação jurídica junto a distribuidora de energia. Profissionais: incorpora profissionais especialistas e técnicos de diferentes áreas como engenharia solar fotovoltaica, engenharia de energias renováveis, engenharia elétrica, design, arquitetura, comercial, administrativa, financeira, jurídico, comunicação e marketing.

Franquias – algumas empresas que já se consolidaram no mercado também oferecem seu know-how e compartilham modelos de negócios com quem quer ser um franqueado. A vantagem está na oferta de cursos e treinamentos para capacitação, fornecimento de ferramentas, comunicação integrada, suportes técnicos e jurídicos, além é claro, do direito de uso da marca.

Investimentos e linhas de crédito

Os investimentos para montar um negócio solar variam de R$ 250 mil a cerca de R$ 1 milhão, de acordo com cada seguimento.

Algumas instituições bancárias como BNDES, Caixa Econômica Federal, Santander, Banco do Nordeste e os programas governamentais ‘Desenvolve SP’ ou o nacional ‘Pronaf’, por exemplo, oferecem linhas de créditos com benefícios como baixos juros e parcelamentos.

É possível solicitar financiamentos desde o desenvolvimento de projetos e compra de materiais à instalação completa de sistemas de micro e minigeração. As taxas variam de cerca de R$ 2,00% ao mês à R$ 7,5% ao ano, com parcelamentos que podem chegar a até 240 meses.

Capacitação

O SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, disponibiliza cursos presenciais e há também os cursos online que orientam desde os conceitos e cálculos básicos até como encontrar as melhores oportunidades e tornar o negócio sustentável financeiramente.

Fonte: Ambiente Energia