EDP lança central solar flutuante na barragem de Alqueva

A elétrica portuguesa vai instalar mais de 10 mil painéis fotovoltaicos na albufeira de Alqueva, num investimento de 3,5 milhões de euros.

Barragem de Alqueva, no Alentejo.
TIAGO MIRANDA

A EDP prepara-se para construir uma central solar flutuante na albufeira da barragem de Alqueva, no Alentejo, com 10.750 painéis fotovoltaicos, uma potência de 4 megawatts (MW) e um investimento de 3,5 milhões de euros. O projeto está ainda em fase de licenciamento, tendo o estudo de incidências ambientais entrado em consulta pública na semana passada.

A decisão de avançar com esta central flutuante surge depois de a EDP ter realizado um projeto-piloto, com menor escala, na barragem do Alto Rabagão. “Com uma tecnologia pioneira a nível europeu, por testar a complementaridade entre a energia solar e hídrica, e a maior eficiência do que o fotovoltaico em terra, o projeto superou as expetativas, acumulando uma produção 6% acima do previsto desde o seu arranque”, explicou ao Expresso o presidente da EDP Produção e administrador da EDP Rui Teixeira.

A nova central em Alqueva ocupará uma área de quatro hectares na albufeira. “Terá uma produção anual estimada de 6 gigawatts hora (GWh), o suficiente para abastecer um quarto da população dos dois municípios em redor do Alqueva (Portel e Moura). O projeto tem um investimento associado de 3,5 milhões de euros”, disse ainda Rui Teixeira.

O projeto flutuante no Alentejo terá uma diferença relevante face ao piloto do Alto Rabagão: irá estar associado a um sistema de armazenagem. “No novo projeto do Alqueva será também testada a combinação do fotovoltaico flutuante com um sistema de baterias, possivelmente de iões de lítio, o que permitirá criar o primeiro laboratório vivo do cruzamento de energias renováveis com armazenamento, antecipando novamente o futuro da produção de energia”, sublinha o presidente da EDP Produção.

A EDP prevê que a entrada em operação da nova central solar flutuante possa ocorrer em 2020, mas tal dependerá do licenciamento em curso junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e da avaliação de incidências ambientais que será feita após a consulta pública em curso.

Segundo Rui Teixeira, a EDP continuará atenta a outras oportunidades para investir em energia solar flutuante, mas não tem para já nenhum outro projeto concreto em marcha.

Atualmente estão instalados pelo mundo fora 750 megawatts (MW) de centrais solares flutuantes, o que não é particularmente expressivo (a maior central elétrica em operação em Portugal, a termoelétrica de Sines, tem mais de 1200 MW, e a maior central solar em construção em Portugal, em Alcoutim, terá mais de 200 MW).

Mas o uso de painéis fotovoltaicos em albufeiras está em crescimento acentuado, devendo a capacidade solar flutuante no mundo mais do que duplicar este ano.

Os especialistas reconhecem ao solar flutuante várias vantagens, entre as quais o rendimento energético (o sobre-aquecimento dos painéis, que é maior em terra do que na água, prejudica o seu desempenho) e o contributo para diminuir a evaporação de água das albufeiras.

Fonte: Expresso