Empresa quer parque solar gigante na Tunísia para importar energia para a Europa

A empresa TuNur candidatou-se junto ao governo tunisino para construir um enorme parque de painéis solares no Sara com capacidade de gerar 4.5 GW de energia. Esta deverá ser canalizada para um grupo de países europeus através de um sistema de cabos submarinos.

Importação de energia solar é o futuro | dreamstime

Milhares de casas em países como França, Itália e Malta poderão vir a beneficiar da energia solar gerada e exportada a partir deste parque que se quer erigir na parte do Sara situada na Tunísia.

O pedido foi feito pela TuNur, uma poderosa empresa no ramo das energias renováveis que tem a ambição de exportar energia solar da Tunísia para a Europa, com o objectivo de “contribuir para a diminuição da taxa de emissão de carbono” daquele continente e abrir um novo corredor de energia entre o Norte de Africa e a Europa.

“Ao mesmo tempo o projeto irá proporcionar fortes estímulos para alavancar o crescimento econômico da Túnisia”, diz a empresa na sua apresentação ao projeto que depende da aprovação do governo tunisino para avançar.

Segundo o The Guardian, a TuNur diz que a importação de energias renováveis é a saída para os governos europeus interessados em respeitar o acordo de Paris e fazer frente ao aquecimento global.

“60% da energia primária da Europa é atualmente importada da Rússia e do Médio Oriente. Será que a Europa realmente quer investir em infra-estruturas que duram 50 anos mas que exigem que se continue a usar combustível fóssil?”, questiona-se Kevin Sara executivo da TuNur.

A expectativa da empresa é iniciar a construção do parque em 2019 e iniciar a exportação de energia gerada a partir dos painéis solar para a ilha de Malta (no Mediterrâneo) em 2021.

Por outro lado calcula-se em 20,000 os empregos a criar a partir desta iniciativa privada. Ainda assim, as autoridades tunisinas mostram-se cautelosas e questionam se o projeto será mesmo tão benéfico como se apresenta.

O porta-voz do Observatório Econômico da Tunísia, citado pelo The Guardian, questiona-se quanto à capacidade da TuNur em levar avante um projeto desta envergadura atendendo que a empresa, até aqui, apenas tem experiência de dois pequenos projetos envolvendo energia solar.

Outras vozes vão mais longe e caracterizam o projeto de “colonial”. “Projetos como este da TuNur negam ás populações locais acesso e controle sobre a sua terra, roubam os seus recursos e concentram os valores gerados nas mãos de companhias privadas e elites predatórias estrangeiras e locais”, afirma um ativista da War on Wants, uma ONG que luta e promove a justiça a nível global.

A TuNur defende-se dizendo que o projeto fornecerá energia também para a Tunísia e que uma tribo que seria desalojada daquela região do deserto será indemnizada e está a encarar a iniciativa positivamente.

Há quatro anos dois poderosos think thanks de advocacia pró revolução de energia solar na Europa – a Desertic Foundation e a Desertic Industrial Iniciative (DII) – já tinham avançado com a ideia de uma vasta rede de distribuição de energia solar proveniente do deserto norte-africano para a Europa.

O projeto previa chegar aos 15% de energia solar proveniente de África na europa até 2050. Entretanto, os dois parceiros cortaram relações devido a problemas de comunicação e o projeto ficou em suspenso.

Fonte: Expresso das Ilhas