Estudo identifica profissionais do futuro no setor de energias renováveis

Principais empregos serão nas áreas de técnico em manutenção, operador de usina, instalador fotovoltaico e planejador energético

Fruto de uma parceria entre o Núcleo de Energia do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o Observatório da Indústria e o Sebrae, foi lançado um estudo com o objetivo de prospectar quais seriam as áreas com maior inovação e os perfis profissionais a serem demandados pela expansão tecnológica nos próximos 20 anos na área de energia. No estudo, foram identificados 25 perfis profissionais do futuro no Ceará.

Um dos destaques foi a gestão de monitoramento e automação, além de pontos específicos, como smart grids e sistemas fotovoltaicos e eólicos, visando ajudar o planejamento energético e a parte de regulamentação. Tais profissões resumiriam-se em técnico em manutenção, operador de usina, instalador fotovoltaico e planejador energético

No estado, a ocupação que mais cresceu nos últimos cinco anos foi a de técnico em manutenção nos parques geradores e em trechos de linhas de transmissão, devido às queimadas por tensão na rede elétrica. “Só a demanda por profissionais nessas usinas cresceu 1000% no estado e mais de 40% no Brasil”, revela Guilherme Muchale, coordenador do Observatório da Indústria da FIEC.

Já os eletrotécnicos e operadores das centrais elétricas tiveram salto de 200%, enquanto engenheiro eletricista ficou com aumento de 130% na região e de 13% na análise nacional, o que mostra efetivamente o quanto o setor elétrico tem se desenvolvido no estado, que no último leilão em termos de projeto de energia solar angariou quase 80% do total dos projetos vencedores.

A coordenador explica que, atualmente, o estado é o nono colocado em termos de geração de oportunidades na área no Brasil e que o trabalho de pesquisa é importante para garantir que os profissionais demandados pelo setor de energia sejam formados no tempo correto e dentro das características que a indústria irá necessitar, alinhado as questões tecnológicas presentes no mercado.

O estudo revelou que, hoje, os assuntos de maior demanda para a própria sociedade são as ligadas à bioeconomia e à descarbonização, e que irão levar a uma demanda crescente no uso de energias renováveis, com a tendência de um mercado que terá um impacto muito forte na diversificação da matriz energética. Alguns exemplos são: célula combustível, economia do hidrogênio, armazenamento de energia, eficiência e eletrificação de veículos, marco regulatório e mercado livre, infraestrutura de distribuição e parques eólicos offshore.

Em relação à formação técnica desses profissionais, o coordenador afirmou que hoje o estado possui aproximadamente 3,2% do total de cursos técnicos do país relacionado à energia, sendo 2% do total de graduações ligadas à área e 3,5% do total de graduações no Brasil. O Senai Ceará também tem feito um trabalho importante, como por exemplo na formação de instalador de painel fotovoltaico.

“O Atlas Eólico e Solar do estado recém atualizado é uma contribuição pertinente para demonstrar que de fato o Ceará possui umas das maiores potências em termos de geração de energia no Brasil”, destacou.

Essa pesquisa ainda revela funcionalidades inovadoras além da versão online e interativa, como opção de aplicativo no celular, mapeamento híbrido para solar e eólica, além de um simulador para geração distribuída, que indica a ordem de grandeza da necessidade de painéis fotovoltaicos em determinado local. Assim como a identificação também de terras que não servem para agricultura e que podem se tornar pertinentes para energia solar.

Para Jurandir Picanco Jr, Coordenador do Núcleo de Energia FIEC, a publicação serve para melhorar a atratividade de projetos do tipo para investidores, haja visto que o aproveitamento energético depende do conhecimento da qualidade dessa energia em cada local. “As informações fomentam estudo e pesquisas, com o maior interesse final sendo a geração de negócios para o estado”, define, dizendo que os principais interessados nos levantamentos são, além dos investidores, os proprietários das terras, estudantes, analistas e empresas, no intuito final de gerar negócios.

Os potenciais atualizados são de 643 GW para a produção solar fotovoltaica, com o estado repleto de oportunidades neste segmento, seguido por 117 GW da geração eólica offshore, com fatores de capacidade muito elevados e em baixas profundidades. Já o potencial híbrido ficou em 43,9 GW eólicos a 150 metros, e de 93,3 GW solares, utilizando 7,3% da área do estado.

Fonte: Portal Solar