Fazendas de painéis solares nos EUA convivem com milho e soja

Empresas de energia limpa, na Carolina do Norte, já instalaram painéis solares em cerca de 2,8 mil hectares de terras agrícolas, desde 2013.

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Os painéis solares têm convivido com as plantações em fazendas norte-americanas.

Fazendeiros norte-americanos que plantam milho, soja, algodão e tabaco, entre outras culturas extensivas, têm optado, sistematicamente, por instalar painéis solares em grandes extensões de terra. Os preços das commodities, em baixa, estão entre os principais fatores que levam os empresários rurais a arrendar suas terras às produtoras de energia limpa, que usam o terreno para instalar os equipamentos.

As empresas de energia solar pagam, por ano, entre US$ 300 a US$ 700 por acre (equivalente a 40% de um hectare), segundo apurou a agência norte-americana de notícias econômicas Bloomberg. Estes valores superam em três vezes a renda média de outras culturas, como soja e o milho, que variam entre US$ 27 e US$ 102 por acre, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Para Brion Fitzpatrick, diretor de desenvolvimento de projetos da Inman Solar Inc, de Atlanta, as empresas de energia solar disputam áreas mais em conta, próximas de subestações já estabelecidas.

— Muitas destas terras são fazendas — disse à Bloomberg.

Empresas de energia limpa, na Carolina do Norte, já instalaram painéis solares em cerca de 2,8 mil hectares de terras agrícolas, desde 2013. O conjunto tem capacidade para gerar quase um gigawatt. Nas contas da Associação de Energia Sustentável daquele Estado norte-americano, a quantidade de energia gerada por acre varia de acordo com o tamanho do painel, as condições climáticas e a situação geográfica. Uma fazenda com 21,6 mil painéis é capaz de gerar energia para 5 mil casas.

Os agricultores norte-americanos normalmente arrendam parte da terra, segundo a Bloomberg. Os contratos de exploração variam de 15 a 20 anos. Mas existem casos em que o produtor arrendou a propriedade inteira.

Incentivos governamentais têm desempenhado “um papel fundamental na disseminação de energia limpa em fazenda”, noticia a agência. Na Carolina do Norte, a concessão de linhas de crédito para produtores que optem pelo arrendamento têm impulsionado a prática.

Na Geórgia, o governo vai além e compra a energia solar da empresa que instalar seus painéis em áreas rurais. A energia limpa tem impulsionado a economia em condados rurais pobres, afirma a Bloomberg. Apesar da recente onda de construção de painéis solares na Carolina do Norte, no entanto, os equipamentos cobrem menos de 1/10 de toda terra no Estado.

Fonte: Correio do Brasil