Fotovoltaico flutuante. EDP estuda regulamentação no Brasil

Projeto-piloto instalado na Barragem do Alto Rabagão apresenta uma produção 6% acima do previsto. Decisões sobre avanço comercial só no final do ano.

O projeto-piloto foi instalado pela EDP Produção na albufeira da Barragem do Alto Rabagão, em Montalegre1 / 5Rui Oliveira / Global ImagensO projeto-piloto foi instalado pela EDP Produção na albufeira da Barragem do Alto Rabagão, em Montalegre RUI OLIVEIRA / GLOBAL IMAGENS

Só no final do ano será concluído o primeiro ano completo de funcionamento do projeto-piloto de solar fotovoltaico flutuante da EDP Produção na Barragem do Alto Rabagão, mas o grupo está já a estudar o enquadramento legislativo no Brasil para perceber se a tecnologia é exportável para as quatro barragens que tem no país e em que condições. O projeto-piloto – 840 painéis flutuantes colocados na albufeira do rio Rabagão, em Montalegre, e com uma potência instalada de 0,2 megawatts de potência instalada – representou um investimento de 450 mil euros, está em produção desde novembro de 2016, e foi esta quarta-feira inaugurado pelo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins.

Na apresentação do projeto, o primeiro na Europa a combinar a produção de energia solar e hidroelétrica numa mesma albufeira, Miguel Patena, responsável da área de inovação da EDP Produção, explicou que, nos primeiros seis meses de funcionamento dos painéis, a produção atingiu os 160 megawatts/hora, um valor 6% acima do previsto. Números encorajadores, admite a empresa, mas que lembra que este está a ser um ano atípico, com muito sol e pouca chuva. No entanto, só no final de 2017, e quando se completar um ano sobre a entrada em funcionamento dos painéis, será tomada uma decisão final sobre a passagem à fase comercial desta tecnologia. Para já, tudo indica que o potencial é grande.

Só no final do ano será concluído o primeiro ano completo de funcionamento do projeto-piloto de solar fotovoltaico flutuante da EDP Produção na Barragem do Alto Rabagão, mas o grupo está já a estudar o enquadramento legislativo no Brasil para perceber se a tecnologia é exportável para as quatro barragens que tem no país e em que condições. O projeto-piloto – 840 painéis flutuantes colocados na albufeira do rio Rabagão, em Montalegre, e com uma potência instalada de 0,2 megawatts de potência instalada – representou um investimento de 450 mil euros, está em produção desde novembro de 2016, e foi esta quarta-feira inaugurado pelo secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins. Na apresentação do projeto, o primeiro na Europa a combinar a produção de energia solar e hidroelétrica numa mesma albufeira, Miguel Patena, responsável da área de inovação da EDP Produção, explicou que, nos primeiros seis meses de funcionamento dos painéis, a produção atingiu os 160 megawatts/hora, um valor 6% acima do previsto. Números encorajadores, admite a empresa, mas que lembra que este está a ser um ano atípico, com muito sol e pouca chuva. No entanto, só no final de 2017, e quando se completar um ano sobre a entrada em funcionamento dos painéis, será tomada uma decisão final sobre a passagem à fase comercial desta tecnologia. Para já, tudo indica que o potencial é grande.

São 840 painéis fotovoltaicos instalados numa estrutura flutuante de 2.500 metros quadrados.1 / 5Rui Oliveira / Global ImagensSão 840 painéis fotovoltaicos instalados numa estrutura flutuante de 2.500 metros quadrados. RUI OLIVEIRA / GLOBAL IMAGENS

“Queremos perceber se o que nos parece positivo no papel, na prática funciona. Se, apesar das condições adversas da albufeira do Alta Rabagão – sujeita a ventos fortes, com uma oscilação do plano de água na ordem dos 30 metros, com uma profundidade de 60 metros e com ondas que chegam a ser de um metro de altura – se a tecnologia tem potencial para ser escalável”, diz o presidente da EDP Produção, admitindo que o potencial “parece ser significativo”.

“Se apenas 5% da área hoje disponível em albufeiras [de centrais hidroelétricas] da EDP fosse utilizada para a instalação de painéis fotovoltaicos flutuantes, isso significaria uma potência instalada de mil megawatts”, explica Rui Teixeira, sublinhando tratar-se, apenas, de um número de referência. “Não significa que seja um objetivo”, frisa. O Brasil, onde a EDP tem quatro barragens, é outro dos países “com potencial” para esta tecnologia. “Claramente é um dos sítios que vamos analisar. Para já estamos a fazer um trabalho mais de contexto, analisando se, regulatoriamente, se pode fazer este tipo de investimento no Brasil”, adianta este responsável.

Basicamente o que a EDP tenta perceber é se os painéis flutuantes apresentam uma maior rentabilidade face aos seus congéneres em terra. Os estudos existentes mostram que o rendimento dos painéis colocados sobre água parece ser 12 a 15% mais elevado, sendo que, também, ocupam menos espaço do que uma instalação em terra. “O aumento de eficiência esperada, face às soluções tradicionais, é de 4 a 10%. Este ano já medimos ganhos de eficiência da ordem dos 10%, mas nem sempre é assim. Agora temos de encontrar essa representatividade estatística”, diz, por seu turno, Miguel Patena.

A nova plataforma fotovoltaica da EDP na Barragem do Alto Rabagão, projeto pioneiro a nível europeu, foi inaugurada esta quarta-feira1 / 5Rui Oliveira / Global ImagensA nova plataforma fotovoltaica da EDP na Barragem do Alto Rabagão, projeto pioneiro a nível europeu, foi inaugurada esta quarta-feira RUI OLIVEIRA / GLOBAL IMAGENS

Em contrapartida, o investimento associado é mais elevado, com a amarração dos painéis ao leito da albufeira a pesar cerca de 20% nos custos totais do projeto. A EDP estima que, para ser rentável, uma estrutura flutuante teria de ocupar um espaço 100 vezes superior ao atual, ou seja, 20 hectares que corresponderiam a uma potência instalada de 20 megawatts. “Abaixo disso já vimos que não é rentável”, garante Miguel Patena, responsável de inovação da EDP Produção. O investimento associado seria, então, de 20 milhões de euros. Em contrapartida, o investimento associado é mais elevado, com a amarração dos painéis ao leito da albufeira a pesar cerca de 20% nos custos totais do projeto. A EDP estima que, para ser rentável, uma estrutura flutuante teria de ocupar um espaço 100 vezes superior ao atual, ou seja, 20 hectares que corresponderiam a uma potência instalada de 20 megawatts. “Abaixo disso já vimos que não é rentável”, garante Miguel Patena, responsável de inovação da EDP Produção. O investimento associado seria, então, de 20 milhões de euros.

O objetivo, agora, é “otimizar as soluções de amarração”, com estudos a serem desenvolvidos em parceria com o Instituto Superior Técnico, especialista em energia das ondas. Além disso, quanto maior for a escala do projeto, mais diluídos ficam os restantes custos, destaca Miguel Patena.

Das 80 barragens que a EDP tem em Portugal, são cerca de 10 as que têm uma escala que permitiria avançar com projetos comerciais. O que não significa que seja esse o número a desenvolver. A EDP está a fazer estudos mais rigorosos, de análise de escala de cada projeto e para perceber em quais das barragens é que a rede de tensão existente tem já capacidade suficiente para receber a energia produzida por estes dois meios distintos, sem obrigar a investimentos adicionais.

Certo é que a eventual exploração comercial do solar fotovoltaico flutuante obrigará a uma alteração regulatória em Portugal, obrigando a uma regulamentação específica para a entrada no mesmo ponto da rede de duas formas de energia distintas.

Fonte: Dinheiro vivo