Governo arranca com “nova vaga” de centrais solares que vão triplicar produção

A primeira grande central solar da Europa a produzir energia sem tarifas garantidas ou outros subsídios estatais já está a funcionar em Ourique.

Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

O Governo vai assinalar quinta-feira o arranque de “uma nova vaga de centrais solares” com a inauguração da primeira sem tarifas garantidas de várias que começam a funcionar até 2021.

Em declarações à agência Lusa, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, salientou que esta “é a primeira de uma nova vaga de centrais solares que se estão a construir por todo o país e que já incluem mais de mil megawatts licenciados e outros mil megawatts em licenciamento”.

“Esse parque de 46 megawatts é o primeiro de um conjunto relativamente amplo de parques que vamos estar a inaugurar nos próximos três anos e que vão trazer um triplicar da capacidade solar até 2021 e, provavelmente, uma multiplicação por seis na capacidade de produção a partir de energia solar até 2025”, notou o governante.

Esta quinta-feira é, assim, inaugurada a primeira grande central solar da Europa a produzir energia sem tarifas garantidas ou outros subsídios estatais, que já está a funcionar no concelho de Ourique, no Alentejo, após um investimento de cerca de 35 milhões de euros.

A Central Solar Fotovoltaica Ourika, que ocupa uma área de 100 hectares situada perto da aldeia de Grandaços, no concelho de Ourique, no distrito de Beja, ficou concluída em junho e começou a produzir energia no início deste mês, informou à Lusa a empresa promotora, a MorningChapter.

A central, que tem 30 anos de vida útil e uma potência total instalada de 46 megawatts distribuídos por 142 mil painéis solares, vai produzir 80 gigawatts-hora de energia por ano, o suficiente para garantir o consumo de aproximadamente 25 mil famílias, adiantou a companhia.

De acordo com Manuel Caldeira Cabral, as outras centrais que já estão em construção têm uma dimensão que varia entre os 10 megawatts e os 200 megawatts e estão localizadas, essencialmente, no sul do país “devido a haver melhores condições de exposição solar”.

“O que esperamos é que ao longo de 2019 vários destes parques solares e destas centrais solares vão entrando em funcionamento”, acrescentou o governante.

Caldeira Cabral realçou que tanto no caso da central esta quinta-feira inaugurada como nas restantes estão em causa infraestruturas sem tarifa ‘feed-in’, isto é, sem subsídios à produção.

“O que fizemos foi criar condições de concurso para que quem queira investir nesta área o possa fazer. Criámos também condições transparentes para o licenciamento da ligação à rede, para dar confiança aos investidores, e o que vimos foi que, de facto, dadas as condições muito propícias que Portugal tem, há muitos investidores, quer nacionais, quer estrangeiros, que estão interessados em investir”, observou o governante.

Caldeira Cabral destacou ainda o “potencial de produção muito interessante” do país na área das renováveis, considerando que esta aposta no solar vai completar o mix energético do país, no qual a eólica ou hídrica já assumem “uma posição importante”.

Fonte: TSF Rádio Notícias