Japão estuda diminuir produção de combustível nuclear após décadas de investimento

Após décadas da adoção da energia nuclear como uma das suas principais fontes energéticas, o governo japonês anunciou pela primeira vez planos de reduzir a quantidade de combustível nuclear no país.

A ideia está registrada no Novo Plano de Energia publicado ontem (03/07) pelo governo japonês. O ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Hiroshige Seko, disse à imprensa que há planos de reduzir a quantidade de plutônio produzida pelo país. Com a redução o Japão pretende contribuir com a comunidade internacional na luta pela não-proliferação nuclear.

O plutônio é o elemento mais importante para a produção de armas nucleares, sendo que a produção de energia para uso civil pode ser facilmente realocada para o desenvolvimento da bomba nuclear. Segundo dados do próprio governo japonês, o combustível nuclear em posse do país é o suficiente para produzir seis mil ogivas nucleares. Embora o Japão atualmente não possua nenhuma arma nuclear, o país precisaria de apenas um ano para produzi-las em massa, pois já possui o conhecimento, a tecnologia e o capital necessário para a produção.

O governo japonês, de olho nos perigos para a sua própria segurança nacional, demonstrou sinais de que a energia nuclear pode estar com os dias contados no país. O governo estuda medidas para a redução da produção, que poderá ser compensada pelo surgimento de novas fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar, que não trazem danos ao ambiente e nem riscos do ponto de vista militar.

A usina de Takahama, administrada pela Companhia Elétrica de Kansai, e a usina de Genkai, de posse da Companhia Elétrica de Kyushu, podem ser as primeiras a reduzir a sua produção.

Fonte: ipc.digital