Maior adesão à tarifa branca pode estimular expansão da microgeração

Modalidade de cobrança por horário e dia da semana deve contribuir para redução da demanda de eletricidade em momento de retomada da economia, mas ainda é pouco difundida no Brasil.

Concessionárias podem ser beneficiadas com menor consumo no horário de ponta e reduzir gastos
FOTO: DREAMSTIME

A tarifa branca pode ajudar na expansão da microgeração e aliviar o parque gerador do País. Em vigor desde 2018, a modalidade de cobrança deve contribuir para a redução do consumo em um momento de retomada econômica, mas ainda é pouco difundida.

“Nossa matriz elétrica não está dimensionada para o crescimento esperado da economia e isso deve causar um aumento no preço da energia”, aponta o diretor de relacionamentos e negócios da empresa W-Energy, Wagner Cunha Carvalho.

Especialistas vêm alertando que, com a redução de capacidade de reservatórios hidrelétricos do Brasil, o aumento de demanda por energia decorrente do aquecimento da atividade industrial deve gerar um encarecimento dos preços.

A tarifa branca, modalidade em que o valor da energia varia conforme a hora e o dia da semana, é uma forma de incentivo para a redução do consumo em “horário de ponta”, quando a demanda é maior. “A tarifa começou voltada para média tensão, com a proposta de incentivar o consumo fora do horário onde há sobrecarga”, explica Carvalho.

Aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a tarifa branca entrou em vigor com adesão permitida aos consumidores com média mensal superior a 500 quilowatt-hora por mês (kWh/mês).

Desde 1º de janeiro de 2019, a modalidade de cobrança tornou-se opcional para quem consome mais de 250 kWh/mês, o que representa cerca de 15,9 milhões de unidades consumidoras. “É vantajoso para quem não consome no horário de ponta e pode representar até 15% de redução da cobrança. Mas se não tiver disciplina, pode ficar 70% mais caro”, estima Carvalho.

Uma alternativa para explorar os benefícios da tarifa branca, sem a necessidade de alterar os hábitos do consumidor, é por meio da microgeração. “Existe uma expectativa de crescimento da cogeração distribuída para reduzir o consumo e ganhar descontos nas concessionárias”, destaca o executivo.

Na micro ou minigeração, o consumidor produz a própria energia, por meio de painéis solares, por exemplo, e pode injetar a energia excedente na rede da distribuidora. Isso possibilita gerar energia nos horários de ponta, trazendo redução de gastos em relação à tarifa convencional. De acordo com a Aneel, atualmente existem mais de 53 mil unidades consumidoras usando o sistema de micro ou minigeração distribuída e gerando um total de 660,13 megawatts (MW) de energia. A maior parte delas usa placas solares para gerar energia elétrica.

O diretor técnico da CAS Tecnologia, Odair Marcondes, detalha que a adesão à tarifa branca e cobrança por horário traz a necessidade da instalação de medidores inteligentes. “Esse tipo de medidor também consegue analisar o consumo de quem tem gerador em casa. Quando tem um excedente, devolve para rede e gera créditos, reduzindo custos.”

Marcondes conta que a adesão à tarifa branca também traz benefícios às distribuidoras de energia. “À medida que o consumo se torna mais uniforme ao longo do dia, as concessionárias não precisam dimensionar sua rede para um pico de horário, podendo priorizar outros investimentos.”

Baixa procura

Conforme dados da Aneel, até novembro do ano passado apenas 3.082 unidades consumidoras aderiram à tarifa branca, o que corresponde a menos de 1% do total de possíveis migrações.

Marcondes entende que uma grande adesão não era esperada e que o mercado ainda se prepara para a demanda de medidores inteligentes. “A tecnologia de gestão de dados é irreversível e o fornecimento de energia ainda é carente disso. Mesmo que a adesão não seja impactante agora, no longo prazo vai fazer a diferença.”

Fonte: DCI