Mudanças climáticas ameaçam a produção de energia na Europa

A vulnerabilidade do setor elétrico europeu por conta das mudanças nos recursos hídricos deverá piorar até 2030 como conseqüência das mudanças climáticas. Esta conclusão foi feita por pesquisadores da Universidade de Leiden em um artigo publicado na Nature Energy.

As estações de energia termoelétricas – incluindo o carvão, o gás e as usinas nucleares – usam quantidades significativas de água para fins de resfriamento. Uma grande estação de energia que utiliza gás pode usar a quantidade de água de uma piscina de tamanho olímpico por minuto. Se a água não estiver disponível, ou se estiver muito quente, as estações de energia têm que reduzir a produção de eletricidade ou cessar completamente a produção.

Pressão sobre a produção

Nos últimos anos, a Europa enfrentou ondas de calor cada vez mais intensas e períodos de seca, que pressionaram os sistemas elétricos. Se uma estação de energia cessa a produção, isso pode ser compensado pelo aumento da produção de uma usina menos vulnerável ou por energia produzida a partir de fontes renováveis. Mas em longos períodos de seca, este mecanismo de compensação não é suficiente, resultando em interrupções de energia e apagões.

Maior escassez de água

Dirigido pelo Dr. Paul Behrens, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Leiden analisou mais de 1.300 estações de energia, extraindo água de 818 piscinas de resfriamento diferentes. Sua pesquisa mostrou que o número de regiões com uma rede elétrica vulnerável devido à disponibilidade de água aumentará significativamente até 2030. Além disso, muitas novas estações de energia elétrica estão previstas para a construção ao lado de corpos de água que já estão sob pressão. A pesquisa mostrou que as áreas em risco futuro de escassez são principalmente na região do Mediterrâneo: Espanha, Itália, sul da França e Grécia. No entanto, áreas ao longo do Reno (na Alemanha, Bulgária e Polônia) também enfrentarão uma pressão cada vez maior sobre a produção de eletricidade.

Resfriamento com água do mar

“Existem maneiras de lidar com essas faltas”, diz o Dr. Behrens. “Nossa pesquisa mostra que o resfriamento com água do mar pode diminuir significativamente os problemas na costa do Mediterrâneo. Mas custará mais, pois os investimentos são necessários para equipar as plantas para o uso de água salgada”. Se quisermos reduzir o uso de água de refrigeração em toda a UE, diz o Dr. Behrens, precisaremos fechar estações de energia antigas e ineficientes e substituí-las por fontes renováveis, como energia eólica e solar.

Traduzido e adaptado de Phys.

Fonte: Climatologia Geográfica