O quão limpa é a energia solar?

Estudo calcula a energia necessária para fazer todos os painéis solares instalados ao redor do mundo entre 1975 e 2015.

painel-solar-830x559
Céticos observam que é necessária muita energia para fazer um painel solar.

Os painéis solares não emitem gases de efeito estufa enquanto estão gerando eletricidade e por isso são tão amados por aqueles que se preocupam com as mudanças climáticas. No entanto, céticos observam que é necessária muita energia para fazer um painel solar. Em particular, para derreter e purificar o silício que estes painéis empregam para capturar e converter a luz solar. Afinal, o ponto de fusão do silício é 1.414 ° C.

O silício é derretido em fornos elétricos e, neste momento, a maior parte da eletricidade é produzida pela queima de combustíveis fósseis, que emite dióxido de carbono. Dessa forma, quando um novo painel solar é colocado para trabalhar, ele já tem uma “dívida de carbono”.

Wilfried Van Sark, da Universidade de Utrecht, na Holanda, e seus colegas têm tentado mensurar esse argumento. Por isso, eles calcularam a energia necessária para fazer todos os painéis solares instalados ao redor do mundo entre 1975 e 2015 e as emissões de dióxido de carbono associadas à produção de energia. A equipe observou também a energia que estes painéis têm produzido desde a sua instalação e a correspondente quantidade de dióxido de carbono que eles preveniram.

Para estimar o número de painéis solares instalados ao redor do mundo, Van Sark e sua equipe usaram dados da Agência Internacional de Energia, um organismo intergovernamental autônomo. Eles recolheram informações sobre a quantidade de energia necessária para fazer painéis solares de dezenas de estudos publicados. A quantidade exata de dióxido de carbono emitida durante a fabricação de um painel depende de onde e de quando ele foi feito. Da mesma forma, a quantidade de gás que o painel preveniu também vai depender de onde ele foi instalado. Um painel feito na China, por exemplo, tem quase o dobro das emissões de gases do efeito estufa de um feito na Europa. Isso ocorre porque a China se baseia mais em combustíveis fósseis para geração de energia. Por outro lado, os benefícios ambientais de instalação de painéis solares serão maiores na China do que na Europa, já que a energia limpa que produzem substitui a eletricidade que seria gerada em grande parte pela queima de carvão ou gás.

A equipe acredita que os painéis solares feitos hoje são responsáveis, em média, por cerca de 20 gramas de dióxido de carbono por quilowatt-hora de energia que produzem durante sua vida útil (estimado em 30 anos, independentemente de quando foi fabricado um painel). Isso é menos do que a média de 400-500 gramas em 1975. Da mesma forma, a quantidade de tempo necessária para um painel solar quitar sua “dívida de carbono” caiu de cerca de 20 anos para dois anos ou menos. Quanto mais painéis são feitos, mais o processo de fabricação se torna eficiente. A equipe também descobriu que, para cada duplicação da capacidade solar do mundo, a energia necessária para fazer um painel cai cerca de 12% e as emissões de dióxido de carbono de 17-24%.

A consequência de todo esse processamento de números não é tão clara. Logo, dependendo dos números usados no modelo, o ponto de equilíbrio global (quando a “dívida de carbono” é quitada) poderia ter acontecido logo em 1997, ou pode ainda não ter chegado. No entanto, a mais pessimista das visões é que aconteça em 2018. Depois disso, as credenciais ambientais da energia solar serão realmente impecáveis.

Fonte: Opinião & Justiça