Por que a conta de energia elétrica tende a aumentar

Geólogo diz que danos ao meio ambiente também devem ser maiores.

Foto: Divulgação

Presidente da Associação de Pequenas Centrais Hidrelétricas de Goiás (APCH), o geólogo Sevan Naves faz um alerta preocupante: a conta de energia elétrica deve aumentar. De acordo com ele, os danos ao meio ambiente também tendem a ser maiores.

Sevan Naves indica que a razão por trás disso está no aumento da demanda gerada pelo reaquecimento da economia. “Se a indústria começar a reagir como está reagindo, aumentará a demanda e faltará energia. Dessa forma, o preço ficará mais caro”, argumenta.

Segundo o geólogo, o Estado já está no limite de geração de energia e, com o aumento da demanda, a solução será utilizar as usinas termelétricas que estão desativadas, resultando no acréscimo da conta a ser paga pela população.

Além disso, as usinas termelétricas acarretam em uma maior emissão de gases do efeito estufa, o que prejudica o meio ambiente. “Na hora em que forem reativadas, será queimado combustível fóssil.”

PCHs

Pioneiro na geração de energia elétrica após a abertura do governo federal para a área privada no final dos anos 1990, Sevan Naves defende o uso das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). “O impacto é pequeno e a energia é mais barata. Para diminuir o preço da energia, tem que estimular as hidrelétricas.”

Contundo, o geólogo lamenta que tenha sido criada uma “ojeriza contra as hidrelétricas”. “Se elas são combatidas, a saída será por meio de combustível fóssil”, frisa. “As termelétricas devem ser acionadas apenas em casos de emergência.”

Sevan Naves sublinha que o potencial hidráulico de Goiás é grande. “Há abundância”, garante. Mas este potencial, ressalta, é pouco utilizado. “Nos Estados Unidos, por exemplo, utiliza-se cerca de 90% do potencial hidráulico. No Brasil, nem 20%. E, em Goiás, nem 10%.”

O que dificulta a implementação das PCHs, para ele, é o licenciamento ambiental “muito complicado”. “Não é nem necessário dar incentivo fiscal. Basta ter um processo mais justo de licenciamento ambiental, assim como ocorre em outros Estados”, sugere.

O geólogo lembra que as PCHs podem contribuir também no combate à crise hídrica porque seguram a água nas cabeceiras. “A questão da crise hídrica é de gestão, e não de falta de água. Se houver uma barragem segurando, dá para administrar e fazer uma gestão melhor.”

Energias limpas

Sevan Naves enviou aos governadoriáveis uma carta em que ele trata sobre a geração de energia limpa, renovável, barata e de qualidade. Nela, o geólogo esclarece a diferença entre os dois tipos de fonte de energia, permanente e intermitente.

“A permanente é a que pode gerar 24 horas ao dia e conta. Em Goiás, com a hidrelétrica, a térmica à base de combustível fóssil (gás, diesel) e a nuclear. Já a intermitente é aquela que gera em períodos e modos específicos e, por isto, precisa ser complementada por uma energia permanente. É representada pela solar (fotovoltaica), eólica e a biomassa, podendo esta, bem planejada, ser permanente”, afirma.

O presidente da APCH pontua que cada fonte tem características próprias, como disponibilidade, preço e poluição. Em relação ao último, há tanto a energia limpa — hidrelétrica, solar, eólica e biomassa — quanto a energia suja — térmica (gás e diesel) a combustível fóssil e a carvão.

“Exemplificando, a energia intermitente solar, que, além de desmatar, só gera das 8 horas às 16 horas, é três vezes mais cara que a PCH e tem o problema do lixo de metais pesados nas placas após 20 anos, precisa ser complementada por fonte permanente”, diz trecho da carta.

Sevan Naves conclui que, para completar a geração pela fonte intermitente solar, é mais “equânime” e “razoável” que se utilize outra energia limpa, como a PCH, e não energia suja, como é feito com a térmica a combustível fóssil.

Enel

Procurada pela reportagem, a Enel, antiga Celg, diz que está prevista uma revisão tarifária a vigorar a partir de 22 de outubro, conforme os percentuais propostos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que podem sofrer alterações até a aprovação final.

“A empresa reforça que o ajuste proposto pelo regulador na revisão tarifária se deve, em grande parte, a fatores externos não gerenciados pela distribuidora, como custo de compra energia e encargos setoriais”, explica.

Além de considerar na definição da tarifa os custos de geração da energia, os de transporte até o consumidor — transmissão e distribuição — e os encargos setoriais, a revisão tarifária tem como objetivo estabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.

Sevan Naves considera a vinda da Enel a Goiás como algo positivo porque, de acordo com ele, a capacidade de investimento do Estado diminuiu. “O importante é o que a sociedade precisa, ou seja, energia barata, de qualidade e disponível. E a Enel tem capacidade a médio e longo prazo para trazer benefícios.”

Dicas para economizar energia

A pedido do Jornal Opção, a Enel elaborou uma série de dicas para a população economizar energia. Confira:

  • Acostume-se a aproveitar a luz natural durante o dia
  • De preferência para lâmpadas fluorescentes compactas em locais que ficam com as luzes acesas mais de quatro horas; elas consomem menos e duram dez vezes mais.
  • Na hora de comprar um eletrodoméstico, verifique se ele possui o Selo Procel de Economia de Energia classe A, que são os campeões da economia.
  • Não ligue muitos aparelhos na mesma tomada com o uso de T’s, pode provocar aquecimento nos fios, causando desperdício de energia e até mesmo acidentes graves.
  • Verifique as condições de suas instalações elétricas periodicamente.
  • Instalações antigas, com muitas emendas ou feitas com fios de telefone, causam desperdício de energia e podem causar incêndios.
  • Pinte as paredes e tetos com cores claras, que refletem melhor a luz.
  • Use iluminação dirigida para leitura, como abajures e luminárias.
  • Em uma viagem longa, desligue a chave geral da casa.
Geladeira
– Não utilize a parte de trás para secar objetos.
– Degele e limpe a geladeira com frequência.
– Não forre as prateleiras do seu refrigerador, isso dificulta a circulação interna do ar.
– Instale o aparelho em um local bem ventilado, longe do fogão, aquecedor e áreas expostas ao sol.
Ferro de passar roupa
– Junte o máximo de peças de roupas para passá-las de uma única vez.
– De preferência aos ferros a vapor, que são mais econômicos.
– Comece passando os tecidos mais delicados, que necessitam de menos calor, até chegar às peças mais pesadas.
– Sempre que precisar interromper o serviço, desligue o ferro.
Chuveiro elétrico
– Feche a torneira para se ensaboar.
– Tome banhos rápidos e, se possível, com a chave de temperatura na posição “verão”, o que pode reduzir o consumo em até 30%.
– Compre sempre chuveiros de menor potência (2 a 6 kW), que são eficientes e consomem menos.
– Limpe com frequência os orifícios de saída de água. Se eles não estiverem limpos, você terá menos água e o chuveiro terá que ficar mais tempo ligado.
Ar-condicionado
– Evite a entrada de sol no ambiente refrigerado e instale o aparelho em um ambiente com boa circulação de ar.
– Mantenha os filtros de ar limpos.
– Compre o equipamento com potência adequada ao tamanho do ambiente onde você pretende instalá-lo.
Máquina de lavar roupas
– Procure lavar de uma só vez a quantidade máxima de roupas indicada pelo fabricante.
– Use a dose certa indicada no manual para reduzir o número de enxágues.
– Mantenha o filtro limpo.

Fonte: Jornal Opção