Potência instalada cresce 360% no País em um ano

Expectativa para este ano é uma expansão de 163%, chegando ao fim de 2017 com 188,3MW e 15 mil usuários

O estado brasileiro com a segunda maior potência instalada em energia solar é o Ceará, que apresenta um total de 20,4 MW, ficando abaixo apenas de Minas Gerais, cuja potência chega a 29,5 MW

Desde 2012, ano após ano o Brasil vem praticamente dobrando o potencial do segmento de mini e microgeração de energia, modalidade na qual o consumidor gera sua própria energia podendo injetar o excedente na rede de distribuição. De 2015 para 2016, a potência instalada de mini e microgeração no País cresceu 360%, passando de 15,5 MW para 71,5 MW. Para 2017, a expectativa é de que a potência cresça mais 163%, chegando a 188,3 MW, com mais de 15 mil unidades conectadas.

Diante do potencial para a geração solar, o Ceará apresenta a segunda maior capacidade instalada de geração distribuída do País, com 20,4 MW, atrás apenas de Minas Gerais (29,5 MW). Das 472 unidades geradoras do Estado, de baixa e alta tensão, 94% são de energia solar e 6% eólicas. “Apesar das dificuldades econômicas, esse é um processo em franco desenvolvimento, com crescimento da ordem de 100% ao ano no Brasil e no Ceará”, afirma Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará (CSRenováveis-CE).

68% mais ligações

Segundo a Enel, de 2015 para 2016, houve um crescimento de 68% no número de ligações no Estado, de microgeração de energia, entre consumidores de baixa tensão e alta tensão. Para clientes de baixa tensão, a potência média gerada é de 7,44 kW e, para clientes de alta tensão, a potência média gerada 442,46 kW. Na avaliação de Picanço, conforme a tecnologia de armazenamento de energia avance, com baterias mais eficientes, a tendência é que em breve o consumidor/produtor comece a se tornar independente da rede integrada de energia.

Entre as principais vantagens da mini e microgeração distribuída, o especialista destaca o fato da produção e o consumo se concentrarem em um mesmo local, diminuindo os custos com transmissão e reduzindo as perdas de energia por efeitos intrínsecos ao modelo de transporte. “Mesmo com esses crescimentos recentes, a expectativa é de um crescimento ainda muito grande no futuro próximo”, diz.

De acordo com a resolução nº 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração, o cliente pode produzir, consumir e reintroduzir energia no sistema elétrico, conforme as necessidades.

Mercado

Se, nos anos iniciais, a partir de 2012, as residências respondiam pela maior parte da demanda de placas solares, hoje, são os estabelecimentos comerciais e as indústrias que impulsionam as vendas para o setor, diz Ivaldo Maia, superintendente da Satrix Energias Renováveis, empresa especializada em energia solar. “O setor comercial no Brasil registrou um crescimento muito significativo no primeiro semestre deste ano, comparando com o segundo semestre de 2016. E as indústrias começaram a entrar no segmento”, ele diz.

Segundo Maia, essa mudança do perfil do cliente se dá principalmente pelas taxas de juros mais “amigáveis” para empresas e pela redução de custos de manutenção proporcionada pelos investimento em grande escala. “Hoje, no Nordeste, as duas bases fortes são o Ceará e Pernambuco, mas nós acreditamos que quando houver uma facilidade maior de crédito, o setor vai ser alavancado exponencialmente. No Brasil, são pouco mais de 12 mil telhados com placas solares, mas a expectativa do setor é de que até 2024 a gente tenha em todo o País cerca de 1 milhão de telhados com placas”, diz. Para este ano, Maia estima um crescimento de 50%a 60% no número de unidades geradoras. (BC)

Fonte: Diário do Nordeste