Programa Indústria Solar vai reduzir gastos na indústria brasileira

O Programa tem tudo para se tornar a maior ação de popularização da energia solar já realizada no Brasil.

A primeira etapa do programa foi focada nas placas solares residenciais – Marco Santiago/ND

A matriz fotovoltaica já é a terceira principal fonte de energia renovável no planeta, atrás da hidráulica e eólica, e experimentou em 2017 um crescimento extraordinário – acima de mil por cento apenas no Brasil. Agora, Santa Catarina sai na frente ao focar em uma área essencial como a indústria, com um programa que pretende fornecer sistemas de geração a 50 mil pequenos e médios empreendimentos até o final deste ano. A segunda etapa do Programa Indústria Solar, voltada para estes segmentos, foi lançada sexta-feira (23) na Fiesc (Federação das Indústrias do Estado), em Florianópolis. A fase anterior, iniciada em novembro passado e que mirou os funcionários das empresas e entidades que desenvolveram o programa (Engie, WEG e Fiesc), teve 1.250 inscritos.

O principal argumento da Fiesc, da Engie e da WEG (as duas últimas fornecem e instalam os sistemas) é o de que já no início do segundo ano de uso da energia fotovoltaica as indústrias terão pago o investimento feito na instalação dos geradores solares. O programa foi criado com três modelos de sistemas, de forma a atender empresas de diferentes portes e com distintos volumes de demanda de energia. Assim, um microempresário pode desembolsar R$ 73 mil, com entrada de R$ 7.300 e 96 parcelas de R$ 999,70, enquanto outro, com demanda superior, gastará R$ 204 mil, assumindo 96 parcelas de R$ 2.793,68, além de entrada de 10%. No meio termo está o industrial com consumo médio que financiará R$ 116 mil, assumindo parcelas de R$ 1.588,57.

“Além de reduzir os gastos com energia, que estão entre os três maiores na operação de uma indústria, o programa vai gerar empregos e renda, porque criará uma forte demanda sobre as empresas especializadas na prestação dos serviços”, diz Rodrigo Kimura, superintendente de operações da Engie. Poucos segmentos vão experimentar uma expansão tão significativa nos próximos anos. E Santa Catarina pode chegar a responder por 10% da geração de energia fotovoltaica no país, além de inspirar outros Estados a adotar programas semelhantes – a busca por informações já começou, adianta o presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Rodrigo Lopes Sauaia. A tecnologia viu os custos caírem 80% em uma década, com as vantagens extras de dispensar as linhas de transmissão e de não emitir gases do efeito estufa.

Rodrigo Kimura, da Engie, mostrou detalhes do programa solar na Fiesc – Fernando Willadino/Divulgação/ND

Geração fotovoltaica vai estimular rede de serviços 

O Programa Indústria Solar tem tudo para se tornar a maior ação de popularização da energia solar já realizada no Brasil. No evento de sexta-feira, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, pediu aos vice-presidentes da federação que estimulem as pequenas indústrias de suas regiões a aderirem ao programa, que “pode construir um futuro mais sustentável e tornar o setor produtivo catarinense mais moderno, eficiente e competitivo”. Além de inédito, ele considera o programa “a maior ação do setor no país”, capaz de proteger a indústria dos reajustes no preço da energia elétrica. Também o caráter de autofinanciamento que diferencia o programa – já que o valor economizado na fatura de energia poderá ser próximo ao da parcela do financiamento dos sistemas fotovoltaicos – foi destacado pelo empresário.

O Brasil conta hoje com 22.700 sistemas em operação, sendo 2.200 em Santa Catarina. A cadeia fotovoltaica será beneficiada porque a Engie e a WEG vão buscar parcerias locais, abrindo oportunidades para uma rede prestadora de serviços cuja amplitude ainda não pode ser medida. Haverá também a necessidade de treinamento e contratação de professores e de certificação dessas empresas, pelo Senai. Se houver excedentes, eles poderão ser transformados em crédito junto à concessionária de energia.

O superintendente de operações da Engie, Rodrigo Kimura, explica que o primeiro passo é conhecer o perfil da empresa interessada em aderir ao programa (o cadastro é feito pelo site www.programaindustriasolar.com.br). Depois, uma equipe especializada fará uma avaliação das necessidades e do local mais adequado para a colocação das placas solares. Uma análise de crédito é o passo seguinte, culminando com a assinatura de um protocolo com a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) para a regularização da usina solar. As instituições financeiras envolvidos no programação são o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e a Cecred (Cooperativa Central de Crédito Urbano).

Fonte: Notícias do Dia