Projeto de cinema ao ar livre chega para difundir uso da energia solar

Projeto itinerante Cinesolar chega a Rio Preto e mais duas cidades da região para a exibição de curtas e longas-metragens e difusão do debate em torno da energia solar.

Uma das sessões ao ar livre realizadas pelo projeto

Cinema, sustentabilidade e acesso. Esses são os pilares do projeto Cinesolar, inovadora iniciativa brasileira de cinema itinerante que exibe filmes a partir da energia solar e que desembarca na região a partir desta terça-feira, 10. Tudo funciona a partir de uma van equipada com placas solares que possibilitam, através de um sistema conversor de energia solar para elétrica, a exibição de filmes e apresentações artísticas. No interior do veículo, há 100 assentos para o público, telão com metragem de 200 polegadas, sistema de projeção e som e até um estúdio de gravação.

Em cada cidade, acontece a exibição de curtas-metragens com temáticas sustentáveis voltados para as crianças e de um longa-metragem brasileiro. Para abrir a temporada 2018, o Cinesolar está circulando por nove cidades do interior do Estado de São Paulo. Nesta terça-feira, 10, eles chegam a Poloni. Na quarta-feira, 11, é a vez de Rio Preto receber o projeto. Já na quinta-feira, 12, ele parte para Ibirá.

As obras exibidas seguem os pilares do Cinesolar, levando cultura e debate para as cidades por onde passa, explica Cynthia Alário, idealizadora e coordenadora do projeto. “Temos uma linha curatorial e também algumas parcerias com alguns festivais de cinema. Os curtas têm foco no público infantil e no tema da sustentabilidade. Já a seleção de longas levam em conta a temática ligada à brasilidade e também o diálogo em algum ponto com a sustentabilidade, mas aqui extrapolando a questão ambiental e passando por questões sociais e econômicas.”

Em Poloni e em Rio Preto, será exibido uma hora de curta-metragem e, depois, o documentário Detox SP – Um Novo Olhar Sobre Nossa Relação com as Águas, dos diretores Felipe Kurc e Rodolfo Amaral, que aborda a poluição das águas e dos rios na cidade de São Paulo e como eles impactam na vida de quem mora lá. Já em Ibirá, além da uma hora de curtas, o longa exibido será O Palhaço, dirigido e estrelado por Selton Mello

Projeto

O projeto é uma realização da Brazucah Produções em parceria com a Associação Cultural Simbora e a Semearte Productil, através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de São Paulo, Proac – ICMS e conta com o apoio das prefeituras locais. Ele nasceu há cinco anos seguindo o modelo de trabalho que a Brazucah já desenvolvia. “Nossa história foi fundamentada na ideia da democratização do acesso ao cinema brasileiro”, conta Cynthia.

O trabalho da produtora cultural sempre foi focado em circuitos alternativos, transformando espaços públicos em salas de cinema e proporcionando um ambiente coletivo de troca e de discussão. Em 2010, Cynthia foi participar de um encontro na América Latina de projetos de exibição itinerante e lá conheceu um grupo da Holanda que trabalhava com cinema solar.

“Quando vi aquele projeto logo pensei que era a cara do Brasil e que a gente precisava fazer algo parecido. Daí nasceu nossa inspiração para o Cinesolar, que chamamos de estação móvel de arte, sustentabilidade, cinema e cultura de paz. O Cinesolar é mais que um cinema. Ele traz outros elementos. O carro é todo grafitado, a gente faz oficinas. A ideia é trazer a sustentabilidade, a arte e a cultura de paz para a vida das pessoas.”

Quando a equipe do Cinesolar chega às cidades tudo é retirado da van e o cinema é montado em lugares como praças públicas e quadras esportivas, principalmente em regiões carentes, como comunidades, aldeias indígenas e até mesmo cidades que não têm energia elétrica. Muitos destes municípios não contam com cinema e diversos espectadores tiveram a primeira experiência com a sétima arte através do Cinesolar.

Proposta

Considerando que hoje em dia quase todo mundo tem acesso aos mais diversos conteúdos a partir do uso dos celulares e da internet, o Cinesolar entra com uma proposta que segue dois caminhos bastante específicos, afirma Cynthia.

“Um deles é, de fato, trazer conteúdo diferente daqueles que eles estão acostumados. Sempre procuramos filmes diferentes e falar de temas sérios de forma leve, mas que levem à reflexão. A segunda coisa é trazer essa experiência do cinema, a experiência do coletivo. Hoje, a vida rápida e os celulares levaram as pessoas a estarem cada vez mais consigo. Então, a ideia é que eu esteja com o outro neste momento.”

Balanço

Desde o início das atividades, em 2013, o Cinesolar, em seus diversos circuitos, realizou cerca de 500 sessões com a exibição de mais de 30 longas-metragens e 100 curtas-metragens com a temática socioambiental em 260 cidades do País, percorrendo mais de 60 mil quilômetros e ultrapassando 95 mil espectadores, além de 180 oficinas, com um total de cerca de cinco mil participantes.

“Nesses cinco anos, tivemos ótimas possibilidades de fazer com que mais e mais pessoas tenham acesso ao Cinesolar. Cumprir nossa missão no Brasil, tanto no que se refere ao cinema quanto à sustentabilidade e à energia solar, que ainda é um tema pouco difundido em um País com muita capacidade para que isso seja uma realidade no nosso dia a dia. Estamos mostrando essa possibilidade com a nossa van”, analisa Cynthia.

Fonte: Diário da Região