Tecsis reduz número de funcionários nas plantas

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A Tecsis, que produz pás para geradores de energia eólica, reduziu 8.000 para 5.200 o número de funcionários nos últimos dois anos. Segundo a empresa, que não divulgou quantos foram desligados neste ano, algumas plantas em Sorocaba estão em processo de encerramento de produção. A redução se deve à entrega de pás adquiridas em anos anteriores, mas cujos contratos não foram renovados. A Tecsis também interrompeu temporariamente o projeto de construção de uma planta maior, que centralizaria toda a produção de pás em Sorocaba. Em nota, a empresa afirma que o setor de energia sentiu os impactos da crise econômica.

De acordo com a Tecsis, as linhas de produção e a quantidade de funcionários estão sendo dimensionadas conforme os contratos estabelecidos para cada modelo de pá. Os contratos possuem prazos determinados. “A continuidade da planta depende exclusivamente da renovação dos pedidos ou estabelecimento de novos contratos e, portanto, por natureza do negócio, existem variações cíclicas no número de funcionários e na quantidade de unidades industriais ativas”, informa a empresa.

Em janeiro, a Tecsis tinha cerca de 5.200 colaboradores e seis plantas em operação, sendo cinco em Sorocaba e uma em Itu, conforme reportagem do jornal Cruzeiro do Sul publicada nesse mesmo mês. Em 2014, no auge da produção desses componentes destinados aos parques eólicos do Brasil e do exterior, a empresa chegou a empregar quase 8.000 funcionários, divididos em 11 plantas.

A explicação da Tecsis para a redução é de que, assim como outros segmentos, o setor de energia também foi impactado pela crise econômica enfrentada no País. “Dentro desse cenário, a Tecsis está focada na redução de custos, melhoria no nível de excelência de seus produtos e aumento da rentabilidade do negócio para manter sua competitividade no mercado nacional e internacional”, segundo a empresa.

Para tanto, a Tecsis reavalia o seu quadro de funcionários, revisa processos e suspende, temporariamente, projetos de expansão. Isso implica, inclusive na interrupção do projeto anunciado em 2014 de construção de uma unidade maior, na região do Éden, em Sorocaba, para centralizar a produção de pás, que alcançam comprimento de até 90 metros. A Tecsis também deve se voltar, nesta fase atual, para a consolidação da planta construída na Bahia.

Novos leilões

Apesar da redução das operações na Tecsis, a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) aponta que o setor deve crescer até 2019. Em três anos, o Brasil chegará a 18,4 gigawatts (GW) de capacidade instalada, contra os 11,6 GW de 2016. O problema, no entanto, é de que esse crescimento se deve aos contratos já assinados em leilões anteriores. Segundo a ABEEólica, existe a necessidade de novos leilões para manter o crescimento depois desse período. O próximo leilão para a contratação de parques eólicos está previsto para outubro de 2016.

De acordo com avaliação da presidente da associação, Elbia Silva Gannoum, no leilão mais recente houve uma baixa contratação de energia eólica, que se assemelha ao patamar de 2009. Ela menciona em um artigo que há uma visão de que sobra energia no País, o que não é verdade. A contratação de parques eólicos para os próximos anos, conforme Elbia, deve atentar para a necessidade de geração de energia limpa para médio e longo prazo.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul