Uso de energia solar reduz a conta de luz em até 80% e combate aquecimento global

Condomínio da MRV em Belo Horizonte utiliza placas solares para geração de energia para apartamentos e áreas comuns Foto: Divulgação/Vladmir Araújo

O brasileiro pagou US$ 186,73 por cada mWh consumido em 2016. De acordo com a consultoria Bloomberg New Energy Finance, o valor foi 66% superior à média global no período. Essa discrepância é uma das razões pelas quais mais de 20 mil painéis solares foram instalados no país entre janeiro e novembro de 2018, de acordo com a Aneel. Além do alívio na conta de luz, eles trazem valor aos imóveis e produzem uma energia mais limpa.

As vantagens do sistema fotovoltaico têm chamado a atenção de várias empresas. Uma delas é a MRV Engenharia que, há dois anos, instala placas solares em seus empreendimentos. Só em 2018, a construtora entregou mais de 60 mil apartamentos com a tecnologia, que gerou uma economia de R$ 230 mil nos condomínios onde está instalada e evitou que 40 toneladas de CO² e outros poluentes fossem lançados na atmosfera. Até 2022, a companhia investirá R$ 800 milhões na área de energia limpa.

— Estamos apostando em soluções sustentáveis e os painéis fotovoltaicos são uma excelente alternativa para aumentarmos a capacidade da matriz energética brasileira — afirma Luis Henrique Capanema, gestor de suprimentos da construtora.

A possibilidade de uma conta de luz mais barata torna a energia solar uma opção interessante não só para condomínios. Uma escola no Espírito Santo reduziu de R$ 1000 para R$ 200 seus gastos com eletricidade graças aos painéis. Já em Goiás, uma fazenda usa a solução para produzir 20% da energia que consome hoje. Não bastasse toda essa economia, um estudo do Lawrence Berkeley National Laboratory constatou que compradores americanos se dispunham a pagar por uma casa com placas fotovoltaicas um valor 4% maior do que o verificado para uma residência do mesmo tamanho sem o aparelho.

O fator ambiental é outro diferencial da matriz solar. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia, um sistema com painéis que produza 180 kWh por mês impede a emissão anual de mais de 1 tonelada de gases poluidores, na comparação com outras fontes de eletricidade. Essas substâncias reforçam a retenção na Terra do calor transmitido pelo sol e causam o chamado aquecimento global. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, as temperaturas médias no planeta subiram 0,5ºC no século XX e devem aumentar em mais 4ºC até 2100. Entre as consequências desse fenômeno, estão o aumento das chuvas e estiagens intensas em diferentes regiões e a inundação de áreas costeiras.

Diminuir a emissão de CO² e outros poluentes é decisivo para amenizar os efeitos dessa transformação e, nesse cenário, o uso da energia solar é um recurso estratégico. A geração de eletricidade nos painéis começa a partir do contato da luz do sol com os equipamentos. Neles, a energia térmica é encaminhada a uma peça chamada inversor, que a converte em carga elétrica. A partir daí, a produção pode ser consumida ou enviada para rede de distribuição a qual o sistema está conectado. No último caso, as concessionárias abatem o que é gerado da fatura do consumidor no fim do mês.

— A MRV é uma empresa que tem entre seus valores a sustentabilidade e o objetivo de implantar energia renovável em seus empreendimentos, levando esse valor aos seus clientes — explica Capanema.

Fonte: Extra